quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Hasta la vista, baby

Depois de pouco mais de 24 horas de Rio já dá saudades de um monte de coisas:
- das flautas de pollo com limão e creme
- da salsa verde
- do croissant com chile e capuccino de café da manhã
- dos anúncios repetidos na televisão
- das gigantes moedas de 10 pesos
- dos "bien, bien" quando se pergunta "como estás?"
- dos 234.452 "güey" que se ouve por dia no "DF".
Depois de um "perdón" que escapou sem querer e de vários quase-"bueno!" para atender telefonemas de boas-vindas dos amigos, já me encontro totalmente readaptada à vida carioca (mas onde foram parar os caras do Vaga Certa?).
Esse blog termina aqui. Agradecendo a companhia dos que acompanharam.


O bêbado e a virgem

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Croissant com feijão

A versão (e aversão!) franco-mexicana de chiclete com banana é vendida da cafeteria do prestigiado Colegio de México. Comi por acidente, porque o feijão vem escondido entre a fatia de presunto e a de queijo. Experiência curiosa, principalmente em se considerando que foi vivida às oito da matina. Seguramente a vez mais cedo que comi feijão na minha vida!

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

De Montezuma ao PAN

Falta apenas uma semana para a volta ao Brasil e dá tudo junto: vontade de chegar logo e tomar um mate com limão na praia, medo ao pensar "será que estou me despedindo desse lugar lindo aqui agora?" e é total a correria com os documentos e livros que ainda não foram reunidos. Eis que pula na minha frente um antídoto tranquilizante:


...E eu achando que a minha pesquisa estava ficando muito ampla...

Atole na veia

E lá vai: estou sofrendo muito mais com o frio mexicano do que sofri com o inglês. A temperatura na Cidade do México, enquanto tento escrever este post domando meus dedos endurecidos pelo frio, é de seis graus. E seis graus onde ônibus nao tem calefacao, onde também sao raras as casas com aquecimento central faz bem dura a vida de uma pessoa que tenta acordar cedo para estar em alguma parte da cidade. Facilita muito se ela tiver que tomar o quentíssimo metrô, mas esse nao é o meu caso.
O inverno da Cidade do México faz você finalmente entender o consumo de "atoles" e "tortas de tamal". É o café da manha frugal de um mexicano que faz seu desejum na rua, esperando o ônibus. Os dois têm origem pré-hispânica. O primeiro vem a ser uma bebida viscosa e doce de milho, que muitas vezes leva nozes, canela. O segundo é um sanduíche de pao francês sem miolo cujo recheio é uma espécie de pamonha salgada. Leve, leve.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

La pregunta de los 64 mil pesos

Por que será que com tanto engarrafamento, com tanta obra, com tanta confusao a Cidade do México é praticamente desprovida de motos e motoqueiros??

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64 mil pesos, ou pouco menos de US$ 5 mil, me parece muito pouco, mas essa é a expressao usada aqui. Vem de um programa de perguntas na TV, das antigas. O cambio mudou e a expressao ficou.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Güey, como dizem "güey", güey!

Meu momento de maior interacao com a juventude mexicana é nas duas curtas viagens diárias no ônibus do ITAM, que faco entre o metrô Miguel Ángel de Quevedo e o campus Río Hondo.
"Güey" é o "cara" mexicano, mas o que me intriga é a quantidade de vezes que ele é usado por frase. Como a palavra é pequenininha, muitas vezes quase nem se nota que ela foi usada. Fica um sonzinho "uei" no final de uma frase ou antes de uma respirada qualquer.
Ontem, voltando pra casa, consegui contar quatro "güeys" em apenas uma frase. Fiquei observando os dois jovens conversando sobre as aulas.
Güey, entre os 20 minutos de conversacao, güey, certamente 10% das palavras usadas, güey, foram "güey", güey.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Pelos olhos dos outros

Quando passei em frente ao restaurante "mexicano" mais famoso do Rio de Janeiro com uma amiga mexicana que hospedava apontei o prédio colorido e ela disse:
- Guapo loco?!?! Isso lá e nome de alguma coisa?
Sao dois adjetivos. E nao estou segura de que em espanhol eles tenham a flexibilidade que os nossos em português, comumente transformados em substantivos. O "bonito louco" nao dizia nada para ela. E tive que concordar.
Poucas semanas depois de intensas atividades gastronômicas por aqui, pode-se confirmar também o que todos os mexicanos dizem sobre a "comida mexicana" do exterior: Nao, isso nao é comida mexicana. Aqui no México, "nachos" sao um tira-gosto que se come nos cinemas multiplex e têm toda a apresentacao de coisa que veio dos EUA. Aquelas 1/4 de circunferencias durinhas e crocantes com gosto de milho sao chamadas em seu país de origem pelo simpático nome de "totopos".
Mas as imitacoes e adaptacoes curiosas também sao recíprocas. Morremos de rir quando um amigo mexicano disse que havia ido a um ótimo restaurante de rodizio brasileiro em Veracruz chamado "Jangada". Esperaria ver acarajés, moquecas, mas nao fraldinhas e filé mignons com alho num restaurante com esse nome.

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Outro dia estava conversando com o meu companheiro de sala (officemate?) sobre a falta de carisma do Alckmin e veio a traducao do seu apelido para o espanhol: "paleta de chayote". Os dois idiomas podem sim ser muito diferentes.

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Esse mesmo colega outro dia me confessou que "gosta muito do nome de um bairro do Rio de Janeiro".
- Bonsucesso. Quiere decir "buen éxito", verdad?
É legal ver o sotaque de hispanoablantes que realmente têm ouvido para o português. Ontem, quando eu estava me preparando para apresentar um paper num seminario, ele se despediu dizendo "bónsuséasso".