quinta-feira, 27 de novembro de 2008
Croissant com feijão
A versão (e aversão!) franco-mexicana de chiclete com banana é vendida da cafeteria do prestigiado Colegio de México. Comi por acidente, porque o feijão vem escondido entre a fatia de presunto e a de queijo. Experiência curiosa, principalmente em se considerando que foi vivida às oito da matina. Seguramente a vez mais cedo que comi feijão na minha vida!
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
De Montezuma ao PAN
Falta apenas uma semana para a volta ao Brasil e dá tudo junto: vontade de chegar logo e tomar um mate com limão na praia, medo ao pensar "será que estou me despedindo desse lugar lindo aqui agora?" e é total a correria com os documentos e livros que ainda não foram reunidos. Eis que pula na minha frente um antídoto tranquilizante:

...E eu achando que a minha pesquisa estava ficando muito ampla...

...E eu achando que a minha pesquisa estava ficando muito ampla...
Atole na veia
E lá vai: estou sofrendo muito mais com o frio mexicano do que sofri com o inglês. A temperatura na Cidade do México, enquanto tento escrever este post domando meus dedos endurecidos pelo frio, é de seis graus. E seis graus onde ônibus nao tem calefacao, onde também sao raras as casas com aquecimento central faz bem dura a vida de uma pessoa que tenta acordar cedo para estar em alguma parte da cidade. Facilita muito se ela tiver que tomar o quentíssimo metrô, mas esse nao é o meu caso.
O inverno da Cidade do México faz você finalmente entender o consumo de "atoles" e "tortas de tamal". É o café da manha frugal de um mexicano que faz seu desejum na rua, esperando o ônibus. Os dois têm origem pré-hispânica. O primeiro vem a ser uma bebida viscosa e doce de milho, que muitas vezes leva nozes, canela. O segundo é um sanduíche de pao francês sem miolo cujo recheio é uma espécie de pamonha salgada. Leve, leve.
O inverno da Cidade do México faz você finalmente entender o consumo de "atoles" e "tortas de tamal". É o café da manha frugal de um mexicano que faz seu desejum na rua, esperando o ônibus. Os dois têm origem pré-hispânica. O primeiro vem a ser uma bebida viscosa e doce de milho, que muitas vezes leva nozes, canela. O segundo é um sanduíche de pao francês sem miolo cujo recheio é uma espécie de pamonha salgada. Leve, leve.
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
La pregunta de los 64 mil pesos
Por que será que com tanto engarrafamento, com tanta obra, com tanta confusao a Cidade do México é praticamente desprovida de motos e motoqueiros??
***
64 mil pesos, ou pouco menos de US$ 5 mil, me parece muito pouco, mas essa é a expressao usada aqui. Vem de um programa de perguntas na TV, das antigas. O cambio mudou e a expressao ficou.
***
terça-feira, 11 de novembro de 2008
Güey, como dizem "güey", güey!
Meu momento de maior interacao com a juventude mexicana é nas duas curtas viagens diárias no ônibus do ITAM, que faco entre o metrô Miguel Ángel de Quevedo e o campus Río Hondo.
"Güey" é o "cara" mexicano, mas o que me intriga é a quantidade de vezes que ele é usado por frase. Como a palavra é pequenininha, muitas vezes quase nem se nota que ela foi usada. Fica um sonzinho "uei" no final de uma frase ou antes de uma respirada qualquer.
Ontem, voltando pra casa, consegui contar quatro "güeys" em apenas uma frase. Fiquei observando os dois jovens conversando sobre as aulas.
Güey, entre os 20 minutos de conversacao, güey, certamente 10% das palavras usadas, güey, foram "güey", güey.
"Güey" é o "cara" mexicano, mas o que me intriga é a quantidade de vezes que ele é usado por frase. Como a palavra é pequenininha, muitas vezes quase nem se nota que ela foi usada. Fica um sonzinho "uei" no final de uma frase ou antes de uma respirada qualquer.
Ontem, voltando pra casa, consegui contar quatro "güeys" em apenas uma frase. Fiquei observando os dois jovens conversando sobre as aulas.
Güey, entre os 20 minutos de conversacao, güey, certamente 10% das palavras usadas, güey, foram "güey", güey.
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
Pelos olhos dos outros
Quando passei em frente ao restaurante "mexicano" mais famoso do Rio de Janeiro com uma amiga mexicana que hospedava apontei o prédio colorido e ela disse:
- Guapo loco?!?! Isso lá e nome de alguma coisa?
Sao dois adjetivos. E nao estou segura de que em espanhol eles tenham a flexibilidade que os nossos em português, comumente transformados em substantivos. O "bonito louco" nao dizia nada para ela. E tive que concordar.
Poucas semanas depois de intensas atividades gastronômicas por aqui, pode-se confirmar também o que todos os mexicanos dizem sobre a "comida mexicana" do exterior: Nao, isso nao é comida mexicana. Aqui no México, "nachos" sao um tira-gosto que se come nos cinemas multiplex e têm toda a apresentacao de coisa que veio dos EUA. Aquelas 1/4 de circunferencias durinhas e crocantes com gosto de milho sao chamadas em seu país de origem pelo simpático nome de "totopos".
Mas as imitacoes e adaptacoes curiosas também sao recíprocas. Morremos de rir quando um amigo mexicano disse que havia ido a um ótimo restaurante de rodizio brasileiro em Veracruz chamado "Jangada". Esperaria ver acarajés, moquecas, mas nao fraldinhas e filé mignons com alho num restaurante com esse nome.
***
Outro dia estava conversando com o meu companheiro de sala (officemate?) sobre a falta de carisma do Alckmin e veio a traducao do seu apelido para o espanhol: "paleta de chayote". Os dois idiomas podem sim ser muito diferentes.
***
Esse mesmo colega outro dia me confessou que "gosta muito do nome de um bairro do Rio de Janeiro".
- Bonsucesso. Quiere decir "buen éxito", verdad?
É legal ver o sotaque de hispanoablantes que realmente têm ouvido para o português. Ontem, quando eu estava me preparando para apresentar um paper num seminario, ele se despediu dizendo "bónsuséasso".
- Guapo loco?!?! Isso lá e nome de alguma coisa?
Sao dois adjetivos. E nao estou segura de que em espanhol eles tenham a flexibilidade que os nossos em português, comumente transformados em substantivos. O "bonito louco" nao dizia nada para ela. E tive que concordar.
Poucas semanas depois de intensas atividades gastronômicas por aqui, pode-se confirmar também o que todos os mexicanos dizem sobre a "comida mexicana" do exterior: Nao, isso nao é comida mexicana. Aqui no México, "nachos" sao um tira-gosto que se come nos cinemas multiplex e têm toda a apresentacao de coisa que veio dos EUA. Aquelas 1/4 de circunferencias durinhas e crocantes com gosto de milho sao chamadas em seu país de origem pelo simpático nome de "totopos".
Mas as imitacoes e adaptacoes curiosas também sao recíprocas. Morremos de rir quando um amigo mexicano disse que havia ido a um ótimo restaurante de rodizio brasileiro em Veracruz chamado "Jangada". Esperaria ver acarajés, moquecas, mas nao fraldinhas e filé mignons com alho num restaurante com esse nome.
***
***
- Bonsucesso. Quiere decir "buen éxito", verdad?
É legal ver o sotaque de hispanoablantes que realmente têm ouvido para o português. Ontem, quando eu estava me preparando para apresentar um paper num seminario, ele se despediu dizendo "bónsuséasso".
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
Um avião cai na cabeça de Obama

Aqui no México há pelo menos duas semanas só se falava nas eleições dos EUA. Quando digo "só" é "só" mesmo. Ontem de manhã o taxista que me levava para o Colégio do México me perguntou, ansioso: "E então? Quem a senhora acha que vai ganhar?" Não era necessário que ele me dissesse do que estava falando. Os mexicanos acompanham as eleições como se fossem as de seu país. E é quase isso, considerando a enorme quantidade de imigrantes mexicanos nos EUA, considerando o Nafta, a proximidade geográfica, entre muitas outras coisas.
Todos os canais de notícias estavam preparados para fazer uma supercobertura sobre os resultados eleitorais. Desde cedo, todos os âncoras aqui no México se comunicavam com suas respectivas mesas de comentaristas em Washington.
Pouco depois das 7h da noite chega a notícia de que um aviãzinho tinha caído num dos maiores entroncamentos do complicado trânsito da cidade. Era como se fosse Avenida Rio Branco com Presidente Vargas, mas como se elas ficassem na altura do Jardim de Alah, entre os dois mais elegantes bairros da cidade.
Os dois âncoras da Televisa que estava prontos para dar aquelas enroladas com biografias de Obama e McCain enquanto os resultados das eleições iam saíndo, tiveram que voltar os olhos para a esquina da Reforma com o Perifério, na região onde se encontram os bairros de Polanco e Lomas de Chapultepec.
Como toda cobertura de um acidente desse porte, muita informação e imagem repetida, muito problema de comunicação com os repórteres... E eles estavam preparados para dar a melhor cobertura. Só que de outro grande acontecimento.
A avioneta, descobriu-se depois, era da Secretaria de Gobernación (uma espécie de Casa Civil) e trazia de volta à capital a Dilma Roussef daqui, o secretário Luiz Camilo Mouriño. Amigo pessoal do presidente Calderón, ele era superjovem e foi o negociador do governo durante a complicada e recém-concluída reforma petroleira. Especulava-se que ele deixaria o governo em breve.
Durante a cobertura foi interessante ver, mais uma vez, diferenças culturais entre México e Brasil. Minutos depois da confirmação de que Mouriño estava no avião totalmente destruído, a Televisa começou a receber telefonemas dos maiores líderes dos três principais partidos mexicanos. Todos ligavam para dizer a mesma coisa: que lamentavam a morte de Mouriño, que mandavam condolências à família e ao governo federal. A mensagem do líder do PAN na Câmara de Deputados durou pouco mais de três segundos. Tinha muita gente na fila. Dava a impressão de que a Televisa tinha se convertido naquelas rádios de troca de mensagens das comunidades do Amazonas.
Fiquei pensando se, diante da falta de novas informações e da necesidade de manter a transmissão do fogo nas Lomas de Chapultepec, essa é uma atitude aceitável por parte de um canal de TV. Como parte da minha doença comparativa entre os dois países, fiquei pensando se no Brasil fariam o mesmo.
Assinar:
Postagens (Atom)

