segunda-feira, 29 de setembro de 2008
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
Em paz com os podcasts
Em dois meses de México eu finalmente consigo fazer as pazes com as frenéticas atualizações dos meus podcasts preferidos pelo iTunes. Consegui finalmente dar conta das pendências num dia de ótimas descobertas.
Tratando das recentes mudanças na economia americana através intervenções do governo nos últimos dias, o Comment podcast da New Yorker do que dizia o economista estruturalista americano John Kenneth Galbraith: nos Estados Unidos o único tipo de socialismo respeitável é aquele dirigido para os ricos nunca pareceu mais apropriado.
Seguindo meus passos para a universidade ao som dos áudios causualente bem editados, ouvi a entrevista do P.O.V. com o documentarista Roger Weisberg, incansável contador das tristes histórias do sistema de saúde americano. Critical Conditions - que parece mais quadradão e mais sério (nos dois sentidos) que Michael Moore e seu Sicko - acompanha a saga de quatro americanos que trabalharam a vida toda, pagaram impostos corretamente, e que se vêem nas condições mais absurdas quando precisam do Estado por problemas de saúde. Um dos personagens acaba optando por amputar a perna, mesmo esta não sendo a orientação final dos médicos, antes que termine a validade de seu plano de saúde e ele perca qualquer direito a atenção médica.
Outra entrevista do P.O.V. tem uma vibe menos pesada mas fala de um documentário que me pareceu tão ou mais interessante. Calavera Highway parece ser um road movie de dois irmãos mexico-americanos que, antes de enterrar as cinzas da mãe, revisitam momentos delicados de sua história familiar. Uma das diretoras do filme é casada com um dos irmãos e também é filha de imigrantes, japoneses. O filhinho do casal, um nipo-mexico-americano de quatro anos e vozinha simpática, também participa da saga familiar.
E viva os podcasts!
Tratando das recentes mudanças na economia americana através intervenções do governo nos últimos dias, o Comment podcast da New Yorker do que dizia o economista estruturalista americano John Kenneth Galbraith: nos Estados Unidos o único tipo de socialismo respeitável é aquele dirigido para os ricos nunca pareceu mais apropriado.
Seguindo meus passos para a universidade ao som dos áudios causualente bem editados, ouvi a entrevista do P.O.V. com o documentarista Roger Weisberg, incansável contador das tristes histórias do sistema de saúde americano. Critical Conditions - que parece mais quadradão e mais sério (nos dois sentidos) que Michael Moore e seu Sicko - acompanha a saga de quatro americanos que trabalharam a vida toda, pagaram impostos corretamente, e que se vêem nas condições mais absurdas quando precisam do Estado por problemas de saúde. Um dos personagens acaba optando por amputar a perna, mesmo esta não sendo a orientação final dos médicos, antes que termine a validade de seu plano de saúde e ele perca qualquer direito a atenção médica.
Outra entrevista do P.O.V. tem uma vibe menos pesada mas fala de um documentário que me pareceu tão ou mais interessante. Calavera Highway parece ser um road movie de dois irmãos mexico-americanos que, antes de enterrar as cinzas da mãe, revisitam momentos delicados de sua história familiar. Uma das diretoras do filme é casada com um dos irmãos e também é filha de imigrantes, japoneses. O filhinho do casal, um nipo-mexico-americano de quatro anos e vozinha simpática, também participa da saga familiar.
E viva os podcasts!
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
Elefanta no DF
Como diz a apresentadora María Hinojosa no podcast Latino USA, "Ahora permítanme que les cuente algo muy personal". Acabo de receber um email do meu pai que diz o seguinte: Saiu no Bom Dia Brasil de hoje que um ônibus atropelou uma elefanta aí na cidade do México e que morreram o motorista do ônibus e a elefanta.
Respondi que se eu não tivesse, na verdade, emagrecido, ele receberia uma resposta malcriada.
No ano passado, quando estava passando três semanas aqui, um ônibus com um monte de camponeses se acidentou no Sul do país e um monte de gente morreu. Meu pai teve reação semelhante, porém relativamente mais séria. Para justificá-la argumentou que sabia que eu estava na Cidade do México, mas que era "a minha cara" estar num ônibus cheio de camponeses no Sul.
Saiu no Bom Dia Brasil de hoje que um ônibus atropelou uma elefanta aí na cidade do México e que morreram o motorista do ônibus e a elefanta.
Sei que você não poderia ser o motorista de ônibus, mas não falaram o nome da elefanta, nem o que ela fazia.
Ia te telefonar, para ter certeza de que tudo estava ok, mas fiquei aliviado ao ver tua simpática mensagem.
Respondi que se eu não tivesse, na verdade, emagrecido, ele receberia uma resposta malcriada.No ano passado, quando estava passando três semanas aqui, um ônibus com um monte de camponeses se acidentou no Sul do país e um monte de gente morreu. Meu pai teve reação semelhante, porém relativamente mais séria. Para justificá-la argumentou que sabia que eu estava na Cidade do México, mas que era "a minha cara" estar num ônibus cheio de camponeses no Sul.
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Sobre táxis e batons
A violência no México é bem menor (ou diferente) do que a que se pensa que existe quando se lê as notícias de longe. Exatamente como acontece no Rio. Deixo de acreditar nisso momentaneamente quando sem querer dou de cara com o revólver (não tenho muito esse vocabulário) posicionado na cintura do porteiro daqui do vizinho. No primeiro dia que vi acho que ele reparou o susto que tomei porque senti que o "días" do "buenos días" que dei a ele foi inspirado e não expirado.
E falando em crimes,
- Morte por bala perdida parece ser muito raro por aqui;
- Há toda uma lista de "qué hacer?" quando se deseja tomar um táxi. Pegar só os que têm placa iniciada em A, só os que estão ligados a uma empresa, só os que estão deixando alguém. Seqüestros relâmpagos em táxis e otras cositas acontecem frequentemente aqui. Muitos deefeños têm suas histórias traumáticas em táxis para contar;
- Furtos são muito comuns. Em lojas. Se nota isso porque são raros os lugares nos quais vc pode entrar sem ter que deixar a sua mochila num guarda-volumes. O mais engraçado é o fato de a seção de maquiagens e demais apetrechos femininos nos supermercados ser sempre a mais bem vigiada. Há pelo menos dois seguranças em cada corredor e deve-se pagar o esmalte separado das cebolas, antes;
- Me incomodava ter que deixar a bolsa para comprar uma caneta na livraria da universidade. Até que vi um filhinho de papai tentando sair sem pagar um livro imenso que tentava esconder debaixo do casaco. Foi visto pelo segurança e voltou para pagar com um sorriso de quem tinha sido flagrado tentando roubar uma manga no terreno do vizinho. Não há punições, imagino, porque seu pai deve ter muito dinheiro e deve pagar uma mensalidade bastante alta para que ele esteja lá, tentando levar livros debaixo do casaco;
- Se, por um lado, é complicadíssimo entrar num supermercado com uma mochila, por outro, entrar em um banco é bem mais simples que no Brasil. Acho que a onda de roubos a banco nos 90 não chegou até aqui.
A BBC Mundo, serviço da BBC em espanhol, colocou no ar uma interessantíssima série sobre o narcotráfico mexicano. Tem o elogiadíssimo jovem escritor Fabrizio Mejía descrevendo a Narcocultura, tem um vídeo sobre Jesús Malverde, o santo dos traficantes, a história da narcomúsica, com o Tigres del Norte, "os Beatles do gênero narcocorridos", e muito mais. Valeu pelo link, Fernandita!
E falando em crimes,
- Morte por bala perdida parece ser muito raro por aqui;
- Há toda uma lista de "qué hacer?" quando se deseja tomar um táxi. Pegar só os que têm placa iniciada em A, só os que estão ligados a uma empresa, só os que estão deixando alguém. Seqüestros relâmpagos em táxis e otras cositas acontecem frequentemente aqui. Muitos deefeños têm suas histórias traumáticas em táxis para contar;
- Furtos são muito comuns. Em lojas. Se nota isso porque são raros os lugares nos quais vc pode entrar sem ter que deixar a sua mochila num guarda-volumes. O mais engraçado é o fato de a seção de maquiagens e demais apetrechos femininos nos supermercados ser sempre a mais bem vigiada. Há pelo menos dois seguranças em cada corredor e deve-se pagar o esmalte separado das cebolas, antes;
- Me incomodava ter que deixar a bolsa para comprar uma caneta na livraria da universidade. Até que vi um filhinho de papai tentando sair sem pagar um livro imenso que tentava esconder debaixo do casaco. Foi visto pelo segurança e voltou para pagar com um sorriso de quem tinha sido flagrado tentando roubar uma manga no terreno do vizinho. Não há punições, imagino, porque seu pai deve ter muito dinheiro e deve pagar uma mensalidade bastante alta para que ele esteja lá, tentando levar livros debaixo do casaco;
- Se, por um lado, é complicadíssimo entrar num supermercado com uma mochila, por outro, entrar em um banco é bem mais simples que no Brasil. Acho que a onda de roubos a banco nos 90 não chegou até aqui.
A BBC Mundo, serviço da BBC em espanhol, colocou no ar uma interessantíssima série sobre o narcotráfico mexicano. Tem o elogiadíssimo jovem escritor Fabrizio Mejía descrevendo a Narcocultura, tem um vídeo sobre Jesús Malverde, o santo dos traficantes, a história da narcomúsica, com o Tigres del Norte, "os Beatles do gênero narcocorridos", e muito mais. Valeu pelo link, Fernandita!
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
Bahia e México
Além da comida apimentada que os locais cismam em dizer que "no pica mucho", a chuva também tem hora marcada pra chover aqui. É forte e dura pouco. E é tão engraçada a sua pontualidade que com o tempo você a vê até com camaradagem. Nem dá pra se irritar.
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
Alicia também mora aqui
Desde que cheguei, há mais de um mês e meio, "La Casa de Alicia" tem horários fixos na Cineteca Nacional. "Cocalero", que chegou há apenas duas semanas, tem atualmente a mesma quantidade diária de sessoes que ela.
terça-feira, 16 de setembro de 2008
El grito
Parece um equivalente ao nosso Reveillon. O país todo pára e se dirige a um ponto específico da cidade, onde haverá shows e queima de fogos. No dia seguinte, as semelhanças ironicamente continuam: pelo menos oito mortos, vítimas de explosões no meio dos festejos. Ainda não houve maiores esclarecimentos sobre o aparente atentado durante as comemorações pelo grito da independência em Morelia, que ganhou este nome por ter sido a cidade natal de um dos heróis, veja, da independência, José María Morelos.
As comemorações do grito aqui na capital aconteceram, talvez como em todos os anos anteriores, sob altíssimo policiamento. Para entrar no Zócalo, onde tanto o presidente Calderón quanto o presidente "legítimo" Obrador fariam seus gritos, toda a população foi revistada como num show de rock.
Me impressiona muito a importância dessa festa, o forte orgulho que o mexicano, pelo menos nessa data, não tenta esconder de ter nascido aqui. Nesse sentido, parecem-se com os brasileiros durante a Copa do Mundo. Até a bochecha pintada com as cores da bandeira é igualzinha.
Acompanhando a cidade progressivamente se pintar de verde, vermelho e branco durante as últimas três semanas, vim desenvolvendo minhas hipóteses para explicar o fenômeno: (1) Muita repressão durante o regime colonial e um extenso período de verdadeiros combates pela independência poderiam explicar porque o 16 de setembro daqui é tão mais festejado que o 7 de setembro daí; (2) Depois me veio a idéia, muito mais simplória, de que talvez essa fosse mais uma maneira que os mexicanos arrumaram de imitar os americanos: também queriam o seu 4 de julho.
Mas não. Parece que a maior explicação para tudo pode ser entendida a partir do grande promotor desse nacionalismo. Seu nome é Partido Revolucionário Institucional. Há quem diga que ao dizer que "ser mexicano é ser nacionalista e apoiar o partido do país", o PRI ia estendendo seus anos de apoio popular. É o partido com as cores da bandeira, obviamente.
Por muitos e muitos motivos cujas descrições tornariam esse post mais extenso ainda, é interessante notar como o nacionalismo me parece um conceito muito, mas muito mais mexicano do que brasileiro. Lendo discursos dos presidentes mais recentes para a pesquisa, encontrei algumas preciosidades que tentam relacionar "manutenção dos ideais da Revolução Mexicana" com a "necessidade de privatizações das empresas públicas".
Nesse trecho abaixo, durante a entrega de seu terceiro infome de governo, Salinas relaciona a implantação de seu criticadíssimo programa Solidaridad ao sempre presente nacionalismo mexicano, que naquele momento passava a ser constantemente associado, que ironia, à necessidade das reformas econômicas.
As comemorações do grito aqui na capital aconteceram, talvez como em todos os anos anteriores, sob altíssimo policiamento. Para entrar no Zócalo, onde tanto o presidente Calderón quanto o presidente "legítimo" Obrador fariam seus gritos, toda a população foi revistada como num show de rock.
Me impressiona muito a importância dessa festa, o forte orgulho que o mexicano, pelo menos nessa data, não tenta esconder de ter nascido aqui. Nesse sentido, parecem-se com os brasileiros durante a Copa do Mundo. Até a bochecha pintada com as cores da bandeira é igualzinha.
Acompanhando a cidade progressivamente se pintar de verde, vermelho e branco durante as últimas três semanas, vim desenvolvendo minhas hipóteses para explicar o fenômeno: (1) Muita repressão durante o regime colonial e um extenso período de verdadeiros combates pela independência poderiam explicar porque o 16 de setembro daqui é tão mais festejado que o 7 de setembro daí; (2) Depois me veio a idéia, muito mais simplória, de que talvez essa fosse mais uma maneira que os mexicanos arrumaram de imitar os americanos: também queriam o seu 4 de julho.
Mas não. Parece que a maior explicação para tudo pode ser entendida a partir do grande promotor desse nacionalismo. Seu nome é Partido Revolucionário Institucional. Há quem diga que ao dizer que "ser mexicano é ser nacionalista e apoiar o partido do país", o PRI ia estendendo seus anos de apoio popular. É o partido com as cores da bandeira, obviamente.
Por muitos e muitos motivos cujas descrições tornariam esse post mais extenso ainda, é interessante notar como o nacionalismo me parece um conceito muito, mas muito mais mexicano do que brasileiro. Lendo discursos dos presidentes mais recentes para a pesquisa, encontrei algumas preciosidades que tentam relacionar "manutenção dos ideais da Revolução Mexicana" com a "necessidade de privatizações das empresas públicas".
Nesse trecho abaixo, durante a entrega de seu terceiro infome de governo, Salinas relaciona a implantação de seu criticadíssimo programa Solidaridad ao sempre presente nacionalismo mexicano, que naquele momento passava a ser constantemente associado, que ironia, à necessidade das reformas econômicas.
Por eso, el nuevo nacionalismo de la última década del siglo XX debe convertir en interés nacional el abatimiento de la pobreza. Los sentimientos nacionalistas, como elementos de cohesión social, son, por ello, sentimientos de solidaridad. No es extraño que el lema del combate a la pobreza extrema sea precisamente el de "solidaridad". El objetivo es asegurar la viabilidad económica y la estabilidad política en un clima de amplias libertades, como condición indispensable para emprender lo importante. Esto significa integrar en forma masiva a la población en la vida activa, económica y política de la nación. Dicho sencillamente, se trata de lograr mayor justicia: justicia social. Esta justicia no puede reducirse a un mero esquema redistributivo de transferencia de recursos. El nacionalismo demanda la participación organizada. La mejor distribución del ingreso y la promoción de la justicia constituyen compromisos irrenunciables del Estado mexicano. El nacionalismo de la última década del siglo es democrático, participativo, tolerante, defensor de libertades, productivo y promotor de la justicia en la realización del interés nacional.
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
"Slim no da paso sin huarache"

Huarache: 1. m. Méx. guarache.
Guarache: (Del tarasco kuarache). 1. m. Méx. Especie de sandalia tosca de cuero.
A frase do título, tirada do texto de Samuel García, em sua coluna publicada pelo Milenio, se refere aa compra de 6,4% das acoes do New York Times pelo segundo homem mais rico do mundo, o mexicano Carlos Slim. García também diz:"Mas allá de si a Slim le interesa en serio el NYT como negocio, su participación y la de sus hijos en el directorio accionario de la compañía estadunidense le permitirá acercarse a uno de los gigantes de los contenidos en el mundo y evaluar —desde una posición privilegiada— las decisiones que deberá tomar en el futuro cercano sobre las alternativas para consolidar la construcción del mayor proyecto integral —una especie de gigantesco “closter”— de telecomunicaciones y contenidos de la región y del mundo".
Por aí, Slim é o dono da bola na Embratel, através da também sua Telmex, e segue trabalhando.Por aqui, quase tudo é dele. Sua loja de departamento Sanborns tem uma filial em cada esquina. E acho engracado como grande parte dos caóticos peseros - o meio de transporte mais popular da Cidade do México - indica no cartaz exposto no pára-brisas que o Sanborns faz parte de seu trajeto. Resta saber qual dos milhares espalhados por essa pequenininha cidade. Ou talvez isso nem importe mesmo...
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
O que foi, comeca a voltar

Saiu hoje no Christian Science Monitor, que tem esse nome horrível, mas algumas ótimas matérias: manufaturas comecam a voltar da China para o México. As pressoes por aumento de salário por parte dos trabalhadores chineses, que já nao eram sem tempo, e os altos precos do petróleo, que encarecem o transporte dos produtos, parecem ser os dois principais motivos para essas aparentemente boas notícias. A companhia de artigos de impressao Lexmark é uma das que já estao de regresso.
Mas é claro que o movimento é apenas inicial. Há algumas semanas, o mesmo jornal publicou uma matéria sobre as Chacos, sandálias até entao politicamente corretas, que sucumbiram aa guerra dos precos. Sua fábrica ruma dos EUA aa China, onde os custos de producao por par, incluindo transporte, sao cinco dólares mais baixos. A matéria conta que atualmente apenas 1% dos sapatos comprados nos EUA sao produzidos no país. E a grande maioria você já sabe de onde vem.
Sobre a "invasao chinesa", um filme e um livro me despertaram especial interesse. O documentário "Losers and Winers" mostra uma fábrica com toda a aura social-democrata sendo desmontada na Alemanha e, literalmente, sendo transportada para a China. O trailer, com legenda em português, pode ser visto aqui. No livro "A Year Without ´Made in China´", uma jornalista americana conta como sua família sobreviveu um ano fazendo o exercício de nao comprar nada que fosse produzido do lado de lá.
terça-feira, 9 de setembro de 2008
Vou para a Juárez, por favor
Não é fácil ganhar intimidade com os endereços na Cidade do México. Além de ser absurdamente grande - e ainda mais grande se se imagina que há mais 18 milhões de habitantes e que são raros os prédios altos -, el D.F. traz uma charmosa (e às vezes irritante) peculiaridade. Das suas 85 mil ruas, cerca de 8 mil se chamam Juárez, 7 mil, Hidalgo, e 700 são Morelos. Assim como Londres, a cidade se formou pela união de pequenos pueblos que, por falta de criatividade ou por patriotismo em excesso, davam os mesmos nomes às suas ruas.
Cheguei aqui já relativamente ciente disso (graças às três semanas que havia passado na cidade no ano passado) e pedi que o motorista de táxi me levasse à Av. Mexico na colonia Del Carmen. Sua resposta: "Del Carmen de qual delegação?" Eu ainda precisava ser mais específica.
Moramos na Avenida Progreso. A Guía Roji, valiosíssima aquisição para aqueles que querem tentar ficar menos perdidos na cidade, indica a existência de pelo menos 168 com esse nome. Limitando a busca à delegação Coyoacan, ficamos com "apenas" cinco casos.
Complicado mas fascinante para aqueles que adoram mapas.
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
Leite do medo
Essa nova campanha do Ninho daqui está bem em dia com todo o debate sobre (a falta de) segurança no país e tal. Mas desperta mais vontade de sair correndo com o seu filho do que de comprar o leite, né não?

O pai parece um pouco menos tenso que a mãe, mas o distintivo assustador continua lá.

Gente, não é pra tanto.
O pai parece um pouco menos tenso que a mãe, mas o distintivo assustador continua lá.
Gente, não é pra tanto.
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
El idioma de Zapata
Tenho me divertido muito observando (e tentando aprender) o espanhol mexicano entre alguns simpáticos elogios ao meu desempenho e episódios nao tao prazerosos como o comentário do diretor (inglês!) do departamento ao fim da minha apresentacao de projeto: eu havia falado "duas ou três palavras de portunhol". No meio daquela reuniao formal de trabalho, cercada por todos os professores do Departamento de Estudos Internacionais, considerei o comentário como uma piada mal-sucedida, típica dos que tentam ser engracados a cada cinco palavras.
***
Uma das primeiras coisas que me chamou a atencao desde que cheguei aqui é a grande quantidade de "buen día" que se usa no lugar de "buenos días". Procurei mais detalhes sobre a distincao em várias páginas de tremenda confiabilidade como essa e acho que vale a resposta de que os dois usos sao corretos e o que varia é a regiao.
***
Entre as novas palavras, a que mais me desperta simpatia é "órale". Seria uma versao menos conhecida e mais informal, acho, de "ándale". Pelo que tenho observado, o uso que faz o Ligeirinho nao é o mais comum. "Ándale" (e "órale") é um equivalente do "prego" italiano, mas também serve como um simples "ok". Muita gente as usa para encerrar conversas telefônicas, num equivalente ao nosso "tá bom, tá bom".
***
Tenho sentido saudade de tortas salgadas, quiches e empadoes. Nao sao comuns por aqui. Acho que por isso ainda é automático um sorriso de satisfacao quando eu leio "torta de pollo" nos letreiros pela cidade. Após averiguacoes iniciais, descobri que torta era "uma espécie de sanduíche". Pesquisas mais avancadas me levaram a descobrir que a diferenca entre os dois é apenas o tipo de pao. Continuo procurando sem sucesso empadoes nos hipermercados mexicanos.
***
- Me saludas a tu mamá.
- De tu parte.
Na segunda vez que ouvi essa resposta esquisita, fui procurar informacao. Minhas fontes dizem que é uma maneira de dizer "ouvi o que você disse, agradeco e farei o que voce me pede". Curioso, curioso...
***
Acho que encontrei um sinônimo para "malandro" em espanhol. Pelo menos no espanhol mexicano. "Huevón" é um sujeito preguicoso e que se orgulha disso. E pode ser utilizado no bom e no mau sentido.
***
E da série nada a ver, mas que nao dá pra ignorar:
Que maneira mais linda de se comecar uma carreira profissional!
E onde será que vai parar o Starbucks, hein?
***
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- De tu parte.
Na segunda vez que ouvi essa resposta esquisita, fui procurar informacao. Minhas fontes dizem que é uma maneira de dizer "ouvi o que você disse, agradeco e farei o que voce me pede". Curioso, curioso...
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Que maneira mais linda de se comecar uma carreira profissional!
E onde será que vai parar o Starbucks, hein?
terça-feira, 2 de setembro de 2008
O "fim" do Informe
O ritual de todo 1° de setembro havia passado de um extremo ao outro. Se até o fim da década de 80 a entrega do Informe de Governo aos deputados era conhecida como "o dia do presidente", tornou-se o dia dos insultos de 1988 em diante. As mudancas mostravam o crescimento do poder da oposicao no Congresso.
O pronunciamento do entao presidente Miguel de la Madrid (no vídeo acima) foi o primeiro a ser interrompido pela oposicao, cena que seria repetida com Salinas, com Zedillo, com Fox e com Calderón. As vaias, gritos e demais insultos se tornaram cada vez mais externos e fortes até que, em 2006, Fox teve que entregar o Informe numa tumultuada sessao no lobby da Câmara de Deputados (abaixo).

Meses atrás o Executivo e o Legislativo estabeleceram em um acordo político liberando o presidente de realizar o "State of the Union" daqui e determinando que ele poderia se limitar a enviar o documento a Câmara por um representante. A decisao foi estranhamente tratada de maneira positiva pelo Universal.
Ontem, o Segundo Informe de Governo da gestao Calderón foi entregue ao presidente da mesa diretora da Câmara, César Horacio Duarte, pelo secretário de governo, Juan Camilo Mouriño, num evento que durou oito minutos (abaixo).

Hoje, o Milenio traz um ótimo artigo, assinado por Héctor Aguillar Camín, que argumenta que o processo de democratizacao do país ironicamente perdeu sem querer um bom mecanismo de prestacao de contas.
O pronunciamento do entao presidente Miguel de la Madrid (no vídeo acima) foi o primeiro a ser interrompido pela oposicao, cena que seria repetida com Salinas, com Zedillo, com Fox e com Calderón. As vaias, gritos e demais insultos se tornaram cada vez mais externos e fortes até que, em 2006, Fox teve que entregar o Informe numa tumultuada sessao no lobby da Câmara de Deputados (abaixo).

Meses atrás o Executivo e o Legislativo estabeleceram em um acordo político liberando o presidente de realizar o "State of the Union" daqui e determinando que ele poderia se limitar a enviar o documento a Câmara por um representante. A decisao foi estranhamente tratada de maneira positiva pelo Universal.
Ontem, o Segundo Informe de Governo da gestao Calderón foi entregue ao presidente da mesa diretora da Câmara, César Horacio Duarte, pelo secretário de governo, Juan Camilo Mouriño, num evento que durou oito minutos (abaixo).

Hoje, o Milenio traz um ótimo artigo, assinado por Héctor Aguillar Camín, que argumenta que o processo de democratizacao do país ironicamente perdeu sem querer um bom mecanismo de prestacao de contas.
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