segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Sobre táxis e batons

A violência no México é bem menor (ou diferente) do que a que se pensa que existe quando se lê as notícias de longe. Exatamente como acontece no Rio. Deixo de acreditar nisso momentaneamente quando sem querer dou de cara com o revólver (não tenho muito esse vocabulário) posicionado na cintura do porteiro daqui do vizinho. No primeiro dia que vi acho que ele reparou o susto que tomei porque senti que o "días" do "buenos días" que dei a ele foi inspirado e não expirado.

E falando em crimes,
- Morte por bala perdida parece ser muito raro por aqui;
- Há toda uma lista de "qué hacer?" quando se deseja tomar um táxi. Pegar só os que têm placa iniciada em A, só os que estão ligados a uma empresa, só os que estão deixando alguém. Seqüestros relâmpagos em táxis e otras cositas acontecem frequentemente aqui. Muitos deefeños têm suas histórias traumáticas em táxis para contar;
- Furtos são muito comuns. Em lojas. Se nota isso porque são raros os lugares nos quais vc pode entrar sem ter que deixar a sua mochila num guarda-volumes. O mais engraçado é o fato de a seção de maquiagens e demais apetrechos femininos nos supermercados ser sempre a mais bem vigiada. Há pelo menos dois seguranças em cada corredor e deve-se pagar o esmalte separado das cebolas, antes;
- Me incomodava ter que deixar a bolsa para comprar uma caneta na livraria da universidade. Até que vi um filhinho de papai tentando sair sem pagar um livro imenso que tentava esconder debaixo do casaco. Foi visto pelo segurança e voltou para pagar com um sorriso de quem tinha sido flagrado tentando roubar uma manga no terreno do vizinho. Não há punições, imagino, porque seu pai deve ter muito dinheiro e deve pagar uma mensalidade bastante alta para que ele esteja lá, tentando levar livros debaixo do casaco;
- Se, por um lado, é complicadíssimo entrar num supermercado com uma mochila, por outro, entrar em um banco é bem mais simples que no Brasil. Acho que a onda de roubos a banco nos 90 não chegou até aqui.

A BBC Mundo, serviço da BBC em espanhol, colocou no ar uma interessantíssima série sobre o narcotráfico mexicano. Tem o elogiadíssimo jovem escritor Fabrizio Mejía descrevendo a Narcocultura, tem um vídeo sobre Jesús Malverde, o santo dos traficantes, a história da narcomúsica, com o Tigres del Norte, "os Beatles do gênero narcocorridos", e muito mais. Valeu pelo link, Fernandita!

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